Bolinho sem glúten e vegan

Bolinho de abobrinha, sem glúten, leite e ovos. Receita fácil e que as crianças adoram fazer e comer.

Panqueca

Massa versátil e fácil.

Cuscuz paulista

Uma receita original, sem glúten, sem leite e sem ovo.

Hambúrguer com legumes

Receita ideal para crianças que tem dificuldade de comer legumes.

Pão sem glúten e vegan

Pão sem glúten, leite e ovos. Receita super fácil!

Entender para fazer

Série de publicações que dão dicas de como receber bem alguém com restrições alimentares. Simples e fácil.

Você não tem cara de celíaco.

Mas será que celíaco tem cara?

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12 de mai. de 2018

De onde vem as mães?

Outro dia li um texto de uma jornalista sobre maternidade. Ela dizia que a gestação e o parto vaginal (que no texto dela era chamado de "normal") tornavam a mulher de alguma forma mais capacitada.
Achei o texto tão ruim, que precisei escrever este texto.
O que é normal? 
Normal é um termo para dizer que determinada coisa é aceita pela sociedade como certa. Tudo diferente daquilo é errado.
Então parto normal, para mim, é todo parto que é seguro e adequado tanto para a mãe quanto para o bebê. É o parto que acontece baseado em evidências e nas reais necessidades do momento, e não em opiniões de celebridades, moda, internet ou na comodidade. 
Mas na verdade, foi a outra opinião do texto que me incomodou... A gestação e o parto, não fazem de ninguém mãe, muito menos mais capacitada.
Eu passei por gestações e partos, e são momentos muito especiais, mas não foram eles que me tornaram mãe.
A maternidade não vem da barriga, ela nasce no coração e na cabeça.
Ser mãe não é um laço de sangue, é um laço de amor. Esse laço muitas vezes começa a ser construído muito antes da criança existir.
Somos mães não porque parimos, mas porque escolhemos amar e cuidar.
Estamos sempre equilibrando a razão e a emoção, ser mãe é ter que tomar decisões baseadas no amor e lógica, decisões práticas do dia-a-dia. Ser mãe é aprender todo dia, é aceitar que nem tudo pode ser feito, que nem tudo  vai sair como o planejado, e ainda assim continuar tentando.
Ser mãe é fazer as coisas do dia-a-dia não por obrigação, mas por amor. 
É o amor, a dedicação, os cuidados, a atenção e a aceitação que constroem a maternidade, e te tornam uma mãe mais capacitada.  
Laços de sangue não são suficientes para manter pessoas unidas, para isso é preciso que haja amor. Somente o laços afetivos são capazes de superar as dificuldades, o tempo e a distância.
Feliz dias das mães!! 

29 de set. de 2016

E se todos fossem...


E se todos fossem celíacos?
E se todos fossem down?
E se todos fossem negros?
E se todos fossem mulheres?
Será que um mundo sem diferenças seria um mundo melhor?

Eu sou celíaca. E eu não me importo que os outros não sejam celíacos.
Ser diferente não é problema. E não acredito que são as diferenças que fazem do mundo um lugar difícil.
As dificuldades começam quando essas diferenças se tornam limitadores, se tornam motivo de exclusão.
Mas a verdade é que para ser aceito temos que aceitar.
Aceitar que somos todos diferentes, cada um com suas limitações, e aceitar principalmente nossas próprias limitações.
As limitações não nos fazem melhores ou piores, nós continuamos sendo nós mesmos com e apesar delas.
Não comer glúten não me define, eu sou muito mais complexa e interessante do que uma dieta ou que a doença celíaca. 
E esse é um dos pontos mais importantes da educação dos meus filhos: seja você, e respeite quem for o outro.
Não sou apenas celíaca. Sou muitas outras "coisas"...e é o conjunto delas e principalmente a forma como eu convivo com todas elas no dia-a-dia que mostra quem eu sou.  
E essa gente tão diferente de mim é quem me ensina.
A diferença permite troca de experiências, podemos ver o mundo através de outros olhos e perceber coisas que antes não notávamos...
Tenho um amigo que não é celíaco, ninguém da sua família é. Porém sua filha, que na época tinha 9 anos, ao saber de mim e dos meus filhos, passou a ler os rótulos para saber se tinha ou não glúten.
Quando ele me contou isso, achei fantástico!
Isso é a manifestação da empatia..."Eu não sou celíaca, mas vou ver se isso aqui serve para a amiga do meu pai." 
Empatia existe onde existem pessoas diferentes e compaixão.
Então acredito que a pergunta certa seria: E se todos tivessem empatia? 

16 de abr. de 2016

O que você acha dessa moda de dieta sem glúten?

Essa pergunta aparece com muita frequência no e-mail do Quitanda sem glúten.
Muitas pessoas me perguntam se a dieta sem glúten emagrece mesmo, se faz efeito em quem não é celíaco, o que acho dessa moda...
Resolvi escrever esse texto para responder essas e outras perguntas e também porque nos últimos tempos tenho visto muita gente adotando dietas restritivas de glúten, açúcar, leite e outros alimentos sem qualquer orientação profissional, e isso é muito preocupante.
A dieta restritiva precisa sempre do acompanhamento de um(a) nutricionista. 

Por que preciso de acompanhamento médico e nutricional?

A dieta restritiva pode ser uma ferramenta para que o médico consiga avaliar a evolução clínica de um paciente e dessa forma descartar ou investigar mais detalhadamente  uma hipótese de diagnóstico.
Mas isso só é possível se o médico avaliar o paciente antes e depois do início da dieta, sem isso não é possível avaliar as mudanças.
O profissional de nutrição tem o papel de orientar e dar o suporte para que a dieta atenda as necessidades nutricionais do individuo. 
É preciso aprender a fazer as substituições corretas, e manter uma alimentação equilibrada para que a avaliação clínica não seja prejudicada.
Fazer uma dieta sem glúten não é simplesmente para de comer pães, bolos e macarrão, é preciso reavaliar todo o cardápio.

Quais os risco de fazer uma dieta restritiva por conta própria?

Vamos usar como exemplo a dieta sem glúten, mas em geral os riscos valem para qualquer tipo de dieta restritiva.
Se você optar por fazer essa dieta, sem nenhum tipo de recomendação ou orientação, está se expondo a diversos riscos:
  • Efeito oposto ao desejado, em especial a dieta sem glúten pode engordar, já que para compensar a falta do glúten muitas receitas usam maior quantidade de gordura;
  • Desnutrição, dietas restritivas sem acompanhamento tendem a apresentar deficiências nutricionais; 
  • Surgimentos de outras doenças ou condições, como anemia;
  • A eventual melhora de alguns sintomas ou desconfortos podem mascarar a real causa desses problemas.
No caso da dieta sem glúten, você pode mascarar a doença celíaca.
Doença celíaca é uma doença autoimune, muito séria, que quando não diagnosticada ou em pacientes que não seguem rigorosamente a dieta pode causar diversas complicações a longo prazo, como infertilidade e até câncer.

Mas vou fazer a dieta corretamente, porque devo me preocupar se tenho Doença Celíaca ou qualquer outra intolerância ou alergia?

Pela minha vivência posso afirmar que fazer dieta restritiva consciente de que não se pode comer determinado alimento por uma condição médica é bem diferente de não comer por opção.
Para o celíaco é extremamente difícil se alimentar de forma segura, pois estamos a todo momento preocupados com a contaminação cruzada de alimentos. 
Vale lembrar que os cuidado vão muito além da dieta, pois o glúten está presente em cosméticos, medicamentos, brinquedos... Ter uma vida isenta de glúten requer dedicação e muito instinto de sobrevivência.
Para quem faz a dieta por opção pessoal esses cuidados não existem.
Em geral, quem escolhe a dieta, não sabe se aquele alimento foi manipulado em uma cozinha exclusiva, se foi embalado em ambiente sem a presença de glúten com todos os cuidados necessários, e eventualmente se permite comer algo com glúten, principalmente em eventos sociais.
Isso parece muito pouco, mas é o suficiente para desorganizar todo o sistema imunológico de quem tem a doença celíaca. A pessoa pode até nem sentir nenhum sintoma, mas as reações estão acontecendo...
Atualmente várias pesquisas apontam a relação do glúten com diversas doenças autoimunes e transtornos, então melhor prevenir e procurar um médico antes de inciar qualquer alteração alimentar.
Se nada for constatado, ótimo! 
Se ainda assim você decidir eliminar ou diminuir a ingestão de alguns tipo de alimento, faça a coisa certa, procure um profissional de nutrição.
A minha visão sobre esse assunto é que se você não tem nenhuma doença ou condição que exija restrição alimentar, melhor seguir o caminho da reeducação alimentar, repensar o consumo de industrializados, de aditivos químicos, de conservantes,etc.
Acredito que esse seja um caminho muito mais eficiente para alcançar o peso ideal e principalmente para a saúde.

22 de mar. de 2016

Zootopia: "Mamãe, você reparou que só tinha ela de menina na polícia?"

Esse foi um dos comentários que meu filho de 8 anos fez logo após assistir Zootopia.
Confesso que fiquei feliz porque ele estava pensando sobre o que o filme propôs.
Zootopia é um filme da Disney que trata de maneira muito acertada questões como inclusão, segregação e também sobre os pré conceitos que carregamos.
Parece ser apenas mais uma animação da Disney, mas vai muito além...
O filme aproveita os estereótipos que cada animal representa para questionar os padrões que a sociedade exige de cada um de nós.
A estória é simples e maravilhosa, e sem dúvida bem verossímil e é quase impossível não se identificar com os personagens.
Qual a influência das expectativas e padrões da sociedade em nossa vida e em nossas decisões?
Apesar de ser uma questão complexa, Zootopia consegue propor essa reflexão de uma maneira muito simples e objetiva.
O legal é que não há lição de moral, as situações são apresentadas ao longo do desenho e a própria criança vai percebendo e questionando.
Alguns temas são tratados de forma explícita, porém leve e sem pieguices. Fica super fácil perceber os conflitos e até as crianças menores entendem.
Outros assuntos, como a questão de gênero, são tratados de maneira implícita, mas ainda assim as crianças conseguem perceber.
A heroína é bem humana,  imperfeita, comete erros e se engana, mas ela é otimista e acredita que é possível mudar. 
Aceitar as limitações (nossas e alheias) e valorizar as diferenças são  pontos fundamentais para viver em sociedade, e principalmente, para ser feliz.
E como um personagem do filme diz "Você acha que é só cantar Let it go e tudo vai se resolver num passe de mágica?! Isso aqui é vida real!" 


10 de fev. de 2016

Por que seus parentes se incomodam com a sua restrição alimentar?


O inconsciente
Em poucas palavras podemos dizer que o inconsciente é onde estão armazenadas as informações que nos foram passadas mas que estão reprimidas e não são facilmente trazidas à mente consciente, podendo ser oriundas de algum trauma ou até mesmo apenas memórias, simples pensamentos, desejos e impressões que temos mas que estão abaixo da memória realmente acessível. Para Freud, este tipo de pensamento pode desencadear doenças, problemas mentais, neuroses e uma série de questões.
(Diferença entre o inconsciente e subconsciente, Sala de psicologia)




Refletindo sobre minhas experiências e sobre relatos que li nas comunidades de celíacos, percebi que boa parte das agressões, piadinhas de mau gosto e críticas acontecem em reuniões familiares.
Claro que existem famílias que acolhem muito bem seus integrantes celíacos, mas é evidente que as principais dificuldades de convívio social estão entre os parentes.
Mas por quê??
Acredito que seja MEDO. Embora inconsciente, esse medo pode ser o real motivo de nossa dieta gerar tanto incomodo nas reuniões familiares.
Para a doença celíaca existir são necessários alguns fatores, a exposição ao glúten e a carga genética.
Família é um grupo de pessoas que compartilham a carga genética. Quando você descobre que é celíaco, indiretamente seus familiares se tornam fortes candidatos a celíacos.
Você se transforma em um incomodo sinal de alerta perambulando pela festa de Natal da família!
Por isso é vital tentar convencer o celíaco que a dieta é besteira, que contaminação cruzada é loucura, que você passou a vida inteira comendo glúten e não parecia ter problema algum, que é psicológico...
 Todas as falas que ouvimos, de deboche, de críticas, de preconceito, na realidade não são para nós, são para eles mesmos.
O medo inconsciente de ser celíaco, e ter que abrir mão da cerveja e do pão francês, faz com que a convivência conosco e com a nossa dieta seja uma tortura.
Muitas vezes o celíaco acaba evitando reuniões familiares, pois a tortura sofrida não vale a pena, e no final, era o que inconsciente dos familiares queria mesmo, expurgar  o incomodo da sua presença.
Obviamente, tudo está no inconsciente, o medo de ter a doença, o medo da dieta, o desejo de afastar o parente celíaco, enfim o desejo de fechar os olhos.
Mas vale lembrar, que as piadinhas inconvenientes,as indiretas, as críticas e até as contaminações propositais, essa são bem conscientes, mesmo quando motivadas por desejos inconscientes.
O que fazer então?
Essa é a parte mais difícil, porque explicar, educar sobre a doença celíaca e sobre a dieta é nossa responsabilidade. Mas também deve haver um limite.
Cada individuo sabe o seu nível de tolerância. Cada um sabe o que pode desculpar e o que não dá para deixar passar.
Tenho adotado a regra de algumas chances, com explicações mais simples possíveis para que qualquer pessoas entenda as minhas restrições. Se as situações continuam se repetindo, passo a evitar a pessoa. Afinal, fica evidente que o problema não é falta de informação sobre doença celíaca, é sim algo mais profundo e que esse meu parente talvez precise de ajuda profissional para lidar com seus medos.

10 de out. de 2015

Um coração aberto é uma mente aberta

Ou como eu acordei para as dificuldades da Inclusão

Conviver com pessoas com algum tipo de deficiência ou limitação sempre foi natural para mim.
Acredito que essa naturalidade se deve um pouco a minha personalidade e muito aos ambientes e pessoas com as quais convivi.
Estudei muitos anos em uma escola pública onde havia alunos deficientes. Isso não era tratado como algo extraordinário. Era normal.
Na minha classe tinha um garoto deficiente visual, e as crianças quase que brigavam para ajudá-lo, a professora que tinha que fazer uma escala!
Nessa escola os deficientes auditivos tinha uma classe só deles, mas a turma deles era para nós uma outra turma qualquer, não era "a classe dos surdos".
Para as crianças não importava a diferença, e para mim, a diferença era algo normal, e não algo que me afastasse das pessoas.
Agradeço imensamente ter tido a oportunidade de estudar e brincar com essas crianças, pois isso fez de mim uma pessoa mais tolerante.
Mas o meu olhar de criança e adolescente não foi suficientemente profundo para perceber o quanto a vida dos meus colegas de escola poderia ser difícil.
Quem é diferente nem sempre é aceito.
Demorei para perceber conscientemente a profundidade desse "não ser aceito", por mais óbvio que isso seja.
Esse acordar aconteceu antes de descobrir a doença celíaca.
Eu já tinha sofrido um aborto e tentei engravidar durante meses, até que enfim conseguimos.
Como a família tinha ficado bastante decepcionada com a primeira gestação, e como sabíamos que o risco de aborto era real, decidimos não contar.
Durante a gestação tive que fazer diversos exames, e muitos deles eu nem sabia exatamente o que procuravam, mas se era para o bem do bebê, eu pensava: "Vamos lá!"
Um dia fui fazer um ultrasson, e no final do exame o médico cheio de cuidados e explicações me disse que a medida da TN estava alterada.
Como eu não tinha a menor ideia do que se tratava, falei ok.
No mesmo dia eu tinha consulta, e chegando no consultório, a médica já me aguardava.
Ela me explicou que a medida da TN (Transluscência nucal) é uma medida de referência. E que uma medida alterada pode indicar algum tipo de problema no bebê, como por exemplo Síndrome de Down.
Eu continuei calma, e só perguntei: "O bebê está bem?"
Ela me disse que sim, e me perguntou se queria fazer mais exames para confirmar ou descartar os problemas. Me explicou que alguns exames eram invasivos e que um deles tinha risco de aborto.
Respondi que não era necessário, e fui para casa feliz da vida. Afinal meu bebê estava bem.
Naquela semana, a família descobriu a minha gravidez.
Ainda assim eu e meu marido decidimos não contar como a gestão estava difícil, para evitar que eles ficassem tensos e nos deixassem tensos.
Minhas gestações foram todas complicadas, sempre com o risco de aborto, fiquei de repouso em todas elas e tive que tomar várias medicações. E apesar de tudo, eu me sentia tranquila, e não queria que as pessoas se preocupassem.
Mas naquela semana eles descobriram a gestação!
Uma pessoa da família telefonou, e quis saber se era verdade que eu estava grávida. Eu confirmei.
Logo na sequência, a pessoa me perguntou se  a medida da TN estava normal.
Respondi que sim. E então eu ouvi a frase que me acordou...
"Que bom! Então agora eu posso te dar os parabéns!"
Eu fiquei tão chocada, tão pega de surpresa, que só tive forças para dizer que precisava desligar.
Lembro que senti vontade de vomitar.
Não porque eu tivesse medo pelo meu filho, mas porque a revolta em mim era muito grande.
Na verdade durante todas as minhas gestações meu único medo era de que eles não sobrevivessem.
Por diversas vezes durante as minhas gestações apareceram problemas e exames alterados, mas nunca senti medo ou apreensão em relação a problemas desse tipo.
Sabia que os riscos eram reais, mas também sentia que meu amor já era capaz de superar qualquer dificuldade, pois aqueles bebês, mesmo com poucos centímetros, já era meus filhos amados, independente das diferenças que pudessem carregar.
E por isso mesmo, a pergunta que eu me fazia sem parar era, por que os pais de uma criança deficiente não mereciam os parabéns? 
Essa pergunta rondou a minha cabeça durante muito tempo, e eu comecei a observar tudo com outros olhos e comecei a ver detalhes que antes não percebia.
As pessoas que pensam como esse familiar que me telefonou, infelizmente enxergam os seres humanos como objetos.
Objetos que não seguem um padrão, são objetos defeituosos, portanto sem qualidade.
Isso dói demais. Saber que os seres humanos não se reconhecem como únicos, que não conseguem entender o outro, que não conseguem aprender com as diferenças e as dificuldades.
Mas esse episódio foi ótimo. Me fez perceber o lado cruel da vida dos deficientes.
Eu sempre soube, desde de criança que os problemas existiam. Mas eu não tinha ideia do tamanho da crueldade.
Hoje eu sou uma pessoa mais consciente, mais atenta a isso. Mas ainda não consegui me acostumar a essa crueldade, e nem quero.
Todos temos preconceitos embutidos, mas é a consciência de si mesmo, é nesse confronto com o nosso lado escuro, com a dor, que podemos nos recuperar. É na vontade de aprender com o outro que podemos descobrir uma versão melhor de nós mesmos. Todos temos restrições e limitações.


1 de set. de 2015

O que tem dentro de você?

A maldade conta sempre com os omissos, são eles a grande força.
Cada vez que nos calamos, e fingimos não ver ou quando simplesmente dizemos: "Isso não muda a minha vida." Nos tornamos a força da maldade.
Meu filho estudava em um escola Waldorf, em Campinas, e fomos sutilmente expulsos da escola porque algumas famílias achavam muito trabalhoso nos avisar quando resolvessem enviar lanche coletivo diferente do cardápio sugerido pela escola.
Observem que as famílias não precisavam fornecer o lanche sem glúten para o meu filho, elas apenas precisavam nos avisar para que nós mesmo providenciássemos o lanche.
Meu filho ficou diversas vezes sem lanche. 
Pedi uma atitude da escola, reclamei, briguei com a escola. Exatamente nesta ordem. Mas a escola criticava as famílias que não nos avisavam, mas faltava coragem para cobrá-las diretamente.
Só quando fui pedir aos pais que não se esquecessem de nos avisar, pois meu filho estava ficando sem lanche, a escola resolveu fazer algo por que algumas famílias ficaram ofendidas.
A escola omissa resolveu fazer uma votação entre os pais. Nunca entendi isso, afinal se o lanche coletivo é uma atividade pedagógica na escola Waldorf, porque os pais é quem devem decidir?
E eles decidiram por manter tudo como estava, afinal, ser celíaco é um "problema" nosso, e não deles.
Embora o lanche fosse coletivo,  a solução proposta é que meu filho levasse todo o dia o dele, pois esse papo de inclusão dá muito trabalho. Mais fácil excluir.
Não se esqueçam que era uma Waldorf, que diz ver e entender cada ser humano como um indivíduo, que deve ser respeitado, amado e acolhido.
Fomos sutilmente expulsos.
Alguns pais diziam que achavam um absurdo essa situação, mas não se posicionavam publicamente, e seguiam a manada, por questões políticas, financeiras e sociais.
A escola fazia exatamente a mesma coisa. Afinal nós não eramos amigos pessoais de ninguém da direção da escola, assim como também não temos grande valor financeiro...

Mas isso não acontece só em escola Waldorf, aliás, isso não acontece só em escolas...
Acontece também na empresa, na instituição religiosa, na família...
Por algum interesse, pra não ficar mal com a maioria, por comodidade, as pessoas sabem que a situação é errada, é injusta, mas simplesmente se calam.
Você diz que é a favor de inclusão.  Que ótimo!
Menos na escola dos seus filhos, porque daí vai te dar um trabalhão, vai atrapalhar o andamento da aula...mas ainda assim, acha lindo a propaganda que a comunidade aprendeu libras por causa do vizinho surdo. Ah! Se todo mundo fosse como essa comunidade, não é mesmo?
A humanidade está superficial...o que há dentro de nós? Por que tanto descompasso?
Por que tanta preocupação em ostentar bondade e amor, mas pouca preocupação em ser bondoso e amoroso?
O que você diz está de acordo com o que faz no seu dia-a-dia?
Qual o caminho para a felicidade, parecer ou ser?




PS: Pra quem ficou curioso. Hoje meu filho estuda em uma escola que não é Waldorf. Está muito bem, integrado e feliz. Diferente da escola anterior, pensar, sentir e agir realmente estão em harmonia.


15 de jul. de 2015

Dança da paz





Germinam os desejos da alma,
crescem os atos da vontade, 
maturam os frutos da vida.

Eu sinto meu destino,
meu destino me encontra.
Eu sinto minha estrela,
minha estrela me encontra.
Eu sinto meus objetivos,
meus objetivos me encontram.

Minha alma e o mundo são um só.

A vida, ela se torna mais clara ao redor de mim,
a vida, ela se torna mais árdua para mim,
a vida, ela se torna mais rica em mim.

Busque a paz, 
viva  em paz,  
ame em paz.

                                            Rudolf Steiner

27 de mai. de 2015

A bola da vez...

A bola da vez é atacar o desconhecido.

Como diz a voz do povo, " a ignorância é a mãe de todas as doenças".

Recebi por e-mail o artigo "A bola da vez é o glúten.", de Anna Marina, publicado no jornal Estado de Minas, Caderno Cultural, em 23 de maio de 2015.
Sinceramente, dei risada. Texto tão lamentável, que me soou irônico estar no Caderno Cultural... 
Não sei quais os motivos que levam um profissional a se propor a escrever sobre algo que desconhece e que não tem disposição a estudar.
Escrever baseado em suposições, sem conhecimento real, é irresponsável e anti-ético. 

Mas, vamos aos fatos.
No caso especifico da Doença Celíaca e do glúten, é irresponsabilidade a publicação do texto citado porque sim, o glúten mata. E mata milhões de pessoas por ano no mundo inteiro!
Um levantamento global, divulgado em 2011, indicou que 42.000 crianças morrem por ano de doença celíaca.( Pesquise por Peter Byass, epidemiologista coordenador do estudo,Universidade de Umea, na Suécia.)
Será esse um número razoável para que seja aceitável se falar em glúten?
Será um bom motivo para que o Dia Mundial do Celíaco seja lembrado e que as associações espalhadas pelo mundo aproveitem esse dia para informar a população sobre esse risco?
A média mundial aponta que 1 em cada 100 pessoas é celíaca, e pior, metade delas não sabem. E é muito provável que você conheça alguém celíaco.
Além disso, existem as pessoas sensíveis ao glúten que não são celíacas (SGNC), esses indivíduos estão fora dessas estatísticas, mas estão em risco assim como os celíacos, inclusive podendo chegar a óbito, caso a dieta não seja respeitada.
Então é muito, mas muito provável que você conheça alguém que não pode consumir glúten.
E como será que essas pessoas podem se alimentar com segurança e tranquilidade, se não tiverem informações nos rótulos?
Paçoca, biscoito de polvilho e feijão cozido não deveriam ter glúten, mas em muitos casos têm.
Produtos que são naturalmente sem glúten, quando manipulados em ambientes que são compartilhados para o preparo de alimentos com glúten, passam a conter glúten. Existe até um nome para essa situação, contaminação cruzada.
O artigo registra a reclamação de "excesso de informação", mas ao ler o artigo, fica evidente a deficiência crônica de informação, aliada a falta de pesquisas sobre o assunto. E finalmente, a pior notícia, pudemos diagnosticar que a jornalista sofre de uma profunda falta de compaixão.
O tratamento inicial indicado é uma visita a ACELBRA-MG, onde ela poderá receber informações seguras e sérias a respeito das questões relacionadas ao glúten.
Acredito que conversar com algumas famílias celíacas e em especial com crianças celíacas, possa criar alguma compaixão.
A ignorância é a mãe de todas as doenças...mas a humildade é a cura para muitos males.

19 de dez. de 2014

Jogo de cintura


Se você é celíaco, ou tem alguma restrição alimentar, então você precisa ter ou desenvolver jogo de cintura. Disso vai depender a sua vida social.

Mas o que é jogo de cintura?
Jogo de cintura é uma expressão muito usada no Brasil. Ter jogo de cintura "é uma qualidade de um indivíduo, é aquela pessoa que sabe como lidar com outras que talvez ela não goste tanto, ou que sabe lidar com os problemas mais difíceis sem se abalar, enfrentar qualquer situação sem demonstrar fraqueza e nem desistir do seu objetivo".

Na realidade, ser maleável e criativo para enfrentar dificuldades são qualidades que todos nós deveríamos desenvolver, mas quando temos uma condição que nos restringe de alguma maneira, isso passa a ser essencial.
Quando entendemos os nossos limites, e entendemos o porquê de cada coisa ser feita daquela forma, passamos a ter o domínio da situação.
Assim fica muito mais fácil imaginar soluções para resolver problemas e situações inesperadas que podem surgir no dia-a-dia.
Também é preciso entender que seja qual for o resultado, foi o melhor que poderíamos ter feito com as ferramentas que estavam disponíveis naquele momento, e que para sermos felizes não precisamos TER o mesmo que os outros, apenas precisamos nos sentir bem sendo nós mesmo.

E essa semana eu me senti assim!
Fomos viajar, e durante a viagem surgiu um convite para um "parabéns", coisa simples só um bolinho...
Meu filhos ficaram animados, mas eu não tinha levado forma de cupcake, nem de bolo, não levei confeitos. E aí?
A praia que estávamos é afastada, então comprar todas essas coisas não era uma opção.
Além disso, ficamos sabendo do aniversário apenas algumas horas antes!
Tive a ideia de fazer bolo de caneca em xícaras.
Forrei as xícaras com papel alumínio, untei e enfarinhei com farinha de arroz, porque eu precisava que os bolinhos saíssem inteiros.
Fiz a receita, coloquei nas xícaras e coloquei no forno a gás para assar.
A receita que eu usei foi a de bolo de aniversário.
Enquanto isso pensei, e a cobertura? E a decoração?
A cobertura foi fácil, peguei o leite vegetal e fiz o brigadeiro sem leite condensado (para ver a receita clique aqui).
Na falta dos confeitos, usei chocolate em pó para decorar.
Eu achei que os bolinhos ficaram lindos. 
E meus filhos me disseram que estavam deliciosos também ;)
Fomos no parabéns, eles brincaram um montão e voltaram para casa super felizes, e eu também.
Por isso, não se deixe abater quando encontrar dificuldades, porque buscar a solução, ou um caminho alternativo, vai te trazer uma sensação de bem estar enorme.
Ah! E se um dia surgir um aniversário relâmpago, se lembre deste post.




12 de set. de 2014

Equívocos



"Não penses mal dos que procedem mal; pensa somente que estão equivocados." - Sócrates






Um dia desses passei por uma situação muito constrangedora, fui discriminada.
É muito triste, você vai se sentindo bem pequeno, e apesar de se sentir pequeno você ainda se sente um incomodo para o outro.
Senti uma tristeza muito grande, pela pessoa e por ainda existir tanta gente assim.
No meu caso, não briguei, nem confrontei, e na verdade foi surpreendente a forma calma e serena que encarei a situação.
Talvez se fosse com os meus filhos a reação teria sido diferente, não sei...
Enquanto as coisas iam acontecendo, eu sabia que aquilo só estava acontecendo graças ao preconceito e a falta de conhecimento. E eu também percebia que a pessoa não tinha coragem de me dizer o real motivo, e então milhões de desculpas surgiram...mas como justificar rotular, categorizar e excluir alguém?
Tudo que não conhecemos pode ser assustador e estranho, e a tendência é tentar ignorar a existência daquilo. Afinal, nos incomoda e nos assusta. Mas a única forma de acabar com o medo é entender, aprender, conhecer. 
Assim sendo, a melhor forma de acabar com ideias preconcebidas e sem fundamentos, é reconhecermos  nossa ignorância, e buscar informações corretas e simples, de fontes seguras e confiáveis.
Por outro lado, quem é discriminado, seja lá por qual motivo, não deve se esconder, nem se isolar.
Siga a vida sendo quem você é. Não a necessidade de sentir vergonha ou fingir ser de outro modo. Mesmo porque a natureza é implacável, e a nossa essência, cedo ou tarde, transborda. Aliás, já escrevi  sobre isso naquele post do Kafka, vale a pena (re)ler.
Só podemos ser felizes e completos sendo verdadeiros, assumindo o nosso ser, mesmo que para os outros isso seja inconveniente.
Todos temos limitações, todos somos diferentes, mas é essa diversidade que nos faz tão interessantes.
É a diferença entre nós, juntamente com a empatia e a compaixão, que nos fazem aprender mais a cada dia sobre nós mesmos.

31 de jul. de 2014

Conhecendo o método Padovan

Post de blog não é livro, eu sei. Porém este aqui é dedicado a três pessoas especiais.
A primeira vez que ouvi sobre o método Padovan, foi com a Dra. Gizelle, ótima pediatra, que olhou para os meus filhos com atenção e carinho. 
Foi através das indicações dela que conheci a história da criadora do método, Beatriz Padovan, e me encantei!
E finalmente conheci a Regina, fonoaudióloga super dedicada e que se tornou uma amiga querida.
Esse post é uma forma de agradecer e também de divulgar um método que pode ajudar muitas pessoas.



Nossa experiência com o método Padovan

Antes de conhecer o método Padovan, levei meu filho a uma fonoaudióloga tradicional, e já de cara, na avaliação, me questionei se aquilo realmente funcionaria.
Após três sessões e exercícios em casa, tinha certeza que aquele não era o melhor caminho para o meu filho.
Eu sabia que faltava alguma coisa, algo que fosse além da repetição de palavras e jogos.
Eu sentia que essas ações trabalhavam as consequências ou sintomas, mas não chegavam nem perto do problema real, da causa.
A pediatra já havia me falado do método Padovan, e resolvi pesquisar para entender como funcionava.
Primeiro li sobre a criadora do método, Beatriz Padovan.
Em 1964, Beatriz, então pedagoga Waldorf, descobriu que alguns de seus alunos apresentavam dislexia.
A pedagoga resolveu voltar à faculdade, e iniciou o curso de Fonoaudiologia na Escola Paulista de Medicina para tentar ajudar seus pequenos alunos.
Infelizmente, as respostas que ela tanto desejava não estavam lá. Beatriz então direcionou suas pesquisas para o estudo antroposófico, e enfim criou o método que leva o seu nome.
Adorei a história da criação, o olhar sensível e cuidadoso da Beatriz Padovan com os seus alunos me cativou.
O método Padovan consiste em refazer as fases do desenvolvimento neurológico, habilitando e reabilitando o sistema nervoso. 
Pensei: "É claro!!". 
A forma como o método funciona para mim é lógico e óbvio. 
Faz todo sentido. Esse método só pode funcionar mesmo!
Procuramos a fonoaudióloga com formação Padovan, e enfim eu e o meu marido ouvimos uma avaliação que estava de acordo com o que observávamos.
Descobrimos que dificuldades de coordenação, podem influenciar no desenvolvimento da fala.
Neste método também fazemos exercícios em casa, mas são tarefas que fazem sentido, que estão dentro de uma lógica e um contexto. Conseguimos entender o por quê daquele exercício.
Com trabalho e dedicação, em alguns meses observamos progressos incríveis na coordenação, e consequentemente na fala.
Por isso, se você sente insegurança na terapia que você ou seu filho fazem, pesquise, se informe. Muitas vezes, existem outras opções.
Cada indivíduo é único, e por isso nem sempre todos se adequam aos métodos ditos tradicionais, as vezes é preciso ir além, e descobrir novos caminhos.

Para conhecer mais sobre o método Padovan acesse o site Método Padovan.


17 de jun. de 2014

Compartilhar a lanterna

tela: Dias Guillet             
A estória "A menina da lanterna" está relacionada com a Festa das Lanternas, que acontece no inverno.
Conheci a estória da menina recentemente, em uma festa da escola dos meus filhos. E vi nela algo que pode ajudar a todos, e em especial, quem está se sentindo perdido diante de grandes mudanças...
Esse conto é recheado de simbolismo, e é usualmente contado repetidas vezes para as crianças, para que elas consigam absorver aos poucos os seus significados.
E para os adultos?
Para os adultos é um lembrete, do que já conhecemos, mas esquecemos de fazer: domar nossos instintos, manter a vontade, a ação e os sentimentos unidos em um propósito, manter nossa luz brilhando e principalmente, levá-la a quem precisa.

A menina da lanterna

 Era uma vez uma menina que carregava alegremente sua lanterna pelas ruas. De repente chegou o vento e com grande ímpeto apagou a lanterna da menina.
Ah! Exclamou a menina. – Quem poderá reacender a minha lanterna? Olhou para todos os lados, mas não achou ninguém. Apareceu, então, uma animal muito estranho, com espinhos nas costas, de olhos vivos, que corria e se escondia muito ligeiro pelas pedras. Era um ouriço.
Querido ouriço! Exclamou a menina, - O vento apagou a minha luz. Será que você não sabe quem poderia acender a minha lanterna? E o ouriço disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois precisava ir pra casa cuidar dos filhos.
A menina continuou caminhando e encontrou-se com um urso, que caminhava lentamente. Ele tinha uma cabeça enorme e um corpo pesado e desajeitado, e grunhia e resmungava.
Querido urso, falou a menina, - O vendo apagou a minha luz. Será que você não sabe quem poderá acender a minha lanterna? E o urso da floresta disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois estava com sono e ia dormir e repousar.
Surgiu então uma raposa, que estava caçando na floresta e se esgueirava entre o capim. Espantada, a raposa levantou seu focinho e, farejando, descobriu-a e mandou que voltasse pra casa, porque a menina espantava os ratinhos. Com tristeza, a menina percebeu que ninguém queria ajudá-la. Sentou-se sobre uma pedra e chorou.
Neste momento surgiram estrelas que lhe disseram pra ir perguntar ao sol, pois ele com certeza poderia ajudá-la.
Depois de ouvir o conselho das estrelas, a menina criou coragem para continuar o seu caminho.
Finalmente chegou a uma casinha, dentro da qual avistou uma mulher muito velha, sentada, fiando sua roca. A menina abriu a porta e cumprimentou a velha.
- Bom dia querida vovó – disse ela
- Bom dia, respondeu a velha.
A menina perguntou se ela conhecia o caminho até o Sol e se queria ir com ela, mas a velha disse que não podia acompanhá-la porque ela fiava sem cessar e sua roca não podia parar. Mas pediu a menina que comesse alguns biscoitos e descansasse um pouco, pois o caminho era muito longo. A menina entrou na casinha e sentou-se para descansar. Pouco depois, pegou sua lanterna a continuou a caminhada.
Mais pra frente encontrou outra casinha no seu caminho, a casa do sapateiro. Ele estava consertando muitos sapatos. A menina abriu a porta a cumprimentou-o. Perguntou, então se ele conhecia o caminho até o Sol e se queria ir com ela procurá-lo. Ele disse que não podia acompanhá-la, pois tinha muitos sapatos para consertar. Deixou que ela descansasse um pouco, pois sabia que o caminho era longo. A menina entrou e sentou-se para descansar. Depois pegou sua lanterna e continuou a caminhada.
Bem longe avistou uma montanha muito alta. Com certeza, o Sol mora lá em cima – pensou a menina e pôs-se a correr, rápida como uma corsa. No meio do caminho, encontrou uma criança que brincava com uma bola. Chamou-a para que fosse com ela até o Sol, mas a criança nem responde. Preferiu brincar com sua bola e afastou-se saltitando pelos campos.
Então a menina da lanterna continuou sozinha o seu caminho
Foi subindo pela encosta da montanha. Quando chegou ao topo, não encontrou o Sol.
- Vou esperar aqui até o Sol chegar – pensou a menina, e sentou-se na terra.
Como estivesse muito cansada de sua longa caminhada, seus olhos se fecharam e ela adormeceu.
O Sol já tinha avistado a menina há muito tempo. Quando chegou a noite ele desceu até a menina e acendeu a sua lanterna.
Depois que o sol voltou para o céu, a menina acordou.
- Oh! A minha lanterna está acessa! – exclamou, e com um salto pôs-se alegremente a caminho.
Na volta, reencontrou a criança da bola, que lhe disse ter perdido a bola, não conseguindo encontrá-la por causa do escuro. As duas crianças procuraram então a bola. Após encontrá-la, a criança afastou-se alegremente.
A menina da lanterna continuou seu caminho até o vale e chegou à casa do sapateiro, que estava muito triste na sua oficina.
Quando viu a menina, disse-lhe que seu fogo tinha apagado e suas mãos estavam frias, não podendo, portanto, trabalhar mais. A menina acendeu a lanterna do artesão, que agradeceu, aqueceu as mãos e pôde martelar e costurar seus sapatos.
A menina continuou lentamente a sua caminhada pela floresta e chegou ao casebre da velha. Seu quartinho estava escuro. Sua luz tinha se consumido e ela não podia mais fiar. A menina acendeu nova luz e a velha agradeceu, e logo sua roda girou, fiando, fiando sem cessar.
Depois de algum tempo,a menina chegou ao campo e todos os animais acordaram com o brilho da lanterna. A raposinha, ofuscada, farejou para descobrir de onde vinha tanta luz. O urso bocejou, grunhiu e, tropeçando desajeitado, foi atrás da menina. O ouriço, muito curioso, aproximou-se dela e perguntou de onde vinha aquele vaga-lume gigante. Assim a menina voltou feliz pra casa.

15 de mai. de 2014

O que você sente se comer glúten?

Toda vez que conto a alguém que sou celíaca, e que não posso comer nada que tenha trigo, aveia, cevada, centeio ou malte, as pessoas me perguntam o que eu sinto ou o que acontece se eu comer glúten.
É bem difícil explicar, porque são tantos sintomas, e variam bastante. Algumas vezes, eu mesma tenho dificuldade de identificar. Os sintomas são parecidos com uma virose, ou como nos sentimos no final de um dia muito trabalhoso.
Porém a Nadia, do blog Barcelona sin gluten, conseguiu listar 35 sinais de contaminação por glúten, eu acrescentei mais 2 sinais que são bastante comuns também.
A lista ajuda não só os celíacos, mais também os familiares e professores a identificarem quando as crianças celíacas estão contaminadas. Veja abaixo os sinais:
  • Fadiga extrema;
  • dor articular;
  • inchaço abdominal ou em todo corpo;
  • retenção de líquidos que pode durar dias;
  • dor abdominal;
  • sede extrema;
  • problemas de concentração e memória;
  • gases;
  • alterações de humor: irritabilidade, emotividade excessiva, vulnerabilidade, depressão;
  • sintomas de gripe;
  • queda da temperatura, mas você se sente febril; 
  • problemas de pele e lesões;
  • náusea;
  • diarreia;
  • episódios de epilepsia;
  • dor no peito;
  • síndrome das pernas inquietas;
  • zumbido nos ouvidos;
  • tontura;
  • palpitações, taquicardia;
  • sudorese;
  • lesões na boca, gengivas inflamadas, aftas ou surtos de herpes;
  • ganho de peso;
  • agravamento de patologias associadas, lúpus, artrite, fibromialgia, outras alergias e intolerâncias alimentares;
  • asma;
  • dormência dos pés, mãos, áreas dispersas do corpo e até mesmo o rosto;
  • ansiedade para comer Junk food / mais glúten;
  • sentimento de Síndrome Pré-Menstrual; 
  • sinusite, rinite;
  • enxaqueca;
  • refluxo gastroesofágico; 
  • prisão de ventre;
  • olhos secos, prurido, lacrimejantes e avermelhados;
  • dor nas costas, ciática;
  • sacroileíte;
  • alteração do ciclo menstrual;
  • queda de cabelo.

Para ler o texto original na íntegra acesse  "Que siente um celiaco cuando se intoxica"
ou a tradução completa em "35 sinais de contaminação por glúten" , no blog Dieta sem glúten.

11 de mai. de 2014

Fazer o bem, simples assim

Na sexta-feira fui na minha primeira festa do dia das mães, e foi muito especial.
Especial porque foi a primeira vez que meu filho preparou junto com a professora e os amigos uma festa para celebrar essa data, e ele estava radiante com isso, e também porque pudemos perceber que fizemos as escolhas certas.
Ele ficou dias tentando guardar segredo do que estavam fazendo na escola, só contava para o pai.
A escola nos avisou que seria realizado um café-da-manhã, e eu já fiquei pensando o que poderia levar...
Enviei um recado para a professora, e fui surpreendida por uma mensagem que dizia para não me preocupar, porque ela mesma faria um prato sem glúten, com todos os cuidados para evitar a contaminação cruzada.
Fiquei tão surpresa e feliz, que nem sabia como responder a mensagem.
Comentei com minhas amigas, e elas me disseram que gostariam de conhecer essa escola com pessoas tão raras.
O dia da festa chegou, e tudo colaborou para ser uma festa linda. Apesar do friozinho, a manhã estava ensolarada.
As crianças cantaram músicas lindas, que me emocionaram bastante.
Depois todos juntos fomos nos servir do maravilhoso café-da-manhã.
Meu filho contou que ajudou a professora, eles fizeram sequilhos e pão-de-queijo sem queijo, tudo perfeito!
Mais tarde, conversando com meu marido, concluímos que apesar das dificuldades que enfrentamos até chegar a esta escola, fizemos o caminho certo.
Alguém que você acabou de conhecer e que se dispõe a fazer algo por você, é realmente uma pessoa rara. E o mais legal é que as educadoras não fizeram por obrigação, fizeram porque para elas isso é o óbvio.
É bom saber que meus filhos estão convivendo e sendo educados em um ambiente tão acolhedor e fraterno, onde as diferenças são aceitas com naturalidade e compaixão.
E eu só posso agradecer por minha família poder participar deste grupo iluminado.
Feliz dia das mães!!

9 de mai. de 2014

O problema não é a restrição alimentar, é a omissão

Um assunto recorrente em e-mails, grupos de apoio e das redes sociais é o bullying que crianças com restrição alimentar sofrem na escola.
O que chama a atenção, é que independente da idade dos envolvidos, crianças, adolescente e jovens, o roteiro é sempre o mesmo.
Os educadores tendem a minimizar as agressões, e até mesmo ignorar. Desta forma a direção da escola também não age, afinal o educador, que é o adulto mais próximo não vê aquele comportamento como problema.
A família dos agressores muitas vezes nem imaginam que o comportamento do filho é inadequado, porque estão alheios ao que acontece na escola, ou por acreditarem que ser agressivo é uma característica de vencedores e líderes.
Os familiares da vítima também demoram para se dar conta do problema, e quando ficam cientes do problema, já justificam a perseguição com a restrição alimentar.
Mas quando se diz "Meu filho é perseguido porque é celíaco.", mesmo inconscientemente, se atribui à restrição a culpa pela perseguição. Quando na realidade, a criança sofre agressão porque a escola é omissa.
A escola tem sim o dever de educar, no sentindo mais amplo da palavra, e cabe aos educadores identificarem esses problemas e trabalharem para que sejam corrigidos.
É claro que essa tarefa não é única da escola, prevenir e combater o bullying é um trabalho grande e que requer a participação de toda comunidade escolar, a família é peça fundamental.
O bullying é um pedido de socorro, de atenção do agressor. Então a escola precisa olhar com cuidado e atenção esse comportamento.
A escola tem o dever de informar as famílias, tanto da vítima como do agressor. 
As famílias precisam ser envolvidas, orientadas, e se preciso encaminhas para profissionais que possam ajudá-las.
Mas porque a escola tem que fazer isso?
Porque é responsabilidade da escola garantir a segurança de seus alunos.
Somos todos diferentes, e educar e formar cidadãos inclui ajudá-los a aprender a conviver com as diferenças.

E quando o bullying parte do educador?

Essa parece uma situação surreal, mas acontece com certa frequência.
Já escrevi um pouco sobre isso nos textos Procura-se escola que goste de crianças e Recomeçar
Nestes casos, infelizmente a melhor saída é procurar uma nova escola, pois geralmente o educador está alinhado com a direção da escola e dificilmente poderá ser feita alguma mudança.
É triste pensar que existem escolas e educadores que agem dessa forma, e que não são tão raros como gostaríamos. 

"No escola me apelidavam de tudo e eu apelidava de tudo também, e ninguém sofria de bullying.". Será mesmo?

Será que esse comportamento realmente não trouxe consequências?  Quantas pessoas da nossa geração sofrem de depressão, ansiedade e outros transtornos?
Será que aquele chefe que maltrata os funcionários não vivenciou na infância o bullying?
Eu acredito que precisamos refletir mais sobre o que fazemos e falamos, e que possamos ser pessoas melhores, e assim oferecer um mundo melhor aos nossos filhos, com mais respeito e amor ao próximo.

13 de abr. de 2014

Contaminação cruzada: como empresas irresponsáveis podem afetar a sua saúde



Quando mudei de Belo Horizonte para São Paulo trouxe um estoque de farinha de arroz de um produtor da minha confiança. Porém em janeiro a farinha acabou e tivemos que comprar por aqui mesmo.
Optamos por uma marca de farinha de arroz bem conhecida no mercado.
Em fevereiro, resolvi adiantar um pouco o meu check-up anual, pois não estava me sentindo muito bem.
Nenhum sintoma grave, apenas um cansaço enorme e queda de cabelo.
Neste mesmo período, meus filhos pareciam mais agitados e birrentos, mas eu coloquei isso na conta do minha fadiga, achando que eles pareciam estar mais agitados porque na verdade eu que estava mais cansada.
Meus exames estavam quase todos normais, exceto por uma alteração em um exame, relacionado ao aparelho digestivo e pâncreas.
Como a alteração era muito pequena, a médica me disse que provavelmente não era nada, e talvez estivesse relacionada com a doença celíaca, principalmente porque eu havia reclamado que estava com algumas lesões de DH (dermatite herpetiforme).
Procurei um gastro para tirar a dúvida, ele solicitou uma endoscopia e colonoscopia.
Percebi que a quantidade lesões de DH estava aumentado, e isso confirmava que estava havendo alguma contaminação por glúten.
Vale ressaltar que fui diagnosticada com doença celíaca em 2008, confirmando o diagnóstico com biópsia do intestino. Desde então, faço rigorosamente a dieta sem glúten, e todas as endoscopias  e biópsias que fiz durante todos esses anos, nunca apresentaram alterações. 
Porém na endoscopia desde ano, a biópsia identificou alterações compatíveis com doença celíaca. 
Conversando com algumas pessoas, descobri que a farinha de arroz que comprei aqui em São Paulo estava sob suspeita, pois surgiram outros casos de celíacos que voltaram a apresentar sintomas após um período de consumo.
Parei imediatamente de consumir a farinha, e em duas semanas, vimos melhoras. As lesões da pele que aumentavam dia após dia, começaram a cicatrizar, a dor abdominal passou e comecei a me sentir um pouco melhor.
Meus filhos recuperaram o bom humor e ficaram mais calmos também.
Escrevo este texto três semanas após suspender o uso da farinha de arroz contaminada, e o que posso dizer é que aos poucos estamos voltando a nossa rotina e a nossa normalidade.
Estou contanto tudo isso para mostrar o quanto o descaso de uma empresa pode afetar a vida de uma família.
Além do gasto de tempo e dinheiro com os exames e consultas, ficamos bastante estressados. A recuperação de uma contaminação cruzada nunca é fácil, principalmente quando se fica exposto por um longo período, como nós ficamos.
Embora as empresas saibam do risco de oferecer produtos contaminados por glúten para consumidores celíacos, elas  não se importam, não se sentem responsáveis pela nossa saúde.
Essas empresas se escondem atrás da falta de uma definição de limites da quantidade de glúten permitida nos alimentos. Por isso é tão importante participar de campanhas que defendem rótulos mais claros, como a Põe no Rótulo e a campanha promovida pela FENACELBRA em parceria com a Proteste.
A #PoeNoRotulo pede que os rótulos sejam claros em relação a ingredientes que podem provocar alergias, como leite, ovo, amendoim,etc. Informando inclusive se há presença de traços desses ingredientes.
Já a campanha da FENACELBRA, "Alimentos seguros para os celíacos", propõe que para que um alimento seja considerado isento de glúten, seja respeitado o limite de 10ppm de glúten. Esse limite já existe em outros países, como a Argentina.
Para acompanhar e apoiar a #PoeNoRotulo você pode acessar  Põe no rótulo, lá há uma série de informações importantes a respeito de rotulagem, produtos e cuidados.
Para assinar a petição da FENACELBRA e saber mais sobre a campanha, acesse Alimentos seguros para os celíacos.
Somente nos unindo e nos organizando podemos exigir que os nossos direitos de consumidores sejam respeitados, não podemos continuar a mercê de empresas irresponsáveis.


2 de abr. de 2014

2 de abril: tudo azul!

Dia 2 de abril é o dia mundial da conscientização do autismo, e a cor deste dia é azul.
Até ser diagnosticada com doença celíaca, eu não tinha ideia do que é o autismo.
Porém, por conta de um livro maravilhoso, escrito por uma mãe super dedicada e batalhadora, aprendi um pouco sobre o autismo, e aprendi principalmente que os problemas surgem, mas a diferença está em como você se posiciona diante deles, como enfrenta as dificuldades.
O livro é Autismo, esperança pela nutrição, da Claudia Marcelino. Super recomendo esse livro, não só para quem precisa fazer dietas restritivas, mas também para quem quer entender um pouco sobre o assunto.
A partir deste livro, passei a ler mais sobre o assunto, a conhecer famílias de autistas, e percebi o quanto estamos desinformados sobre tudo isso. 
E a falta de informação gera muito preconceito e sofrimento para o autista. 
E eles não são poucos, segundos estatísticas americanas, a incidência é 1 em cada 68 crianças. 
E não sabemos conviver com eles, não entendemos o que essas famílias precisam, não sabemos nem como é feito o diagnóstico...
Então que o dia de hoje seja para levar a informação para todos, que mais pessoas possam começar hoje a entender um pouco mais sobre o autismo, e entender principalmente que o autista não vive em um outro mundo, ele está aqui, conosco e precisa da nossa atenção, respeito e ajuda
Beijos azuis!!!

Para saber mais:


Cozinha sem glúten e sem leite - Claudia Marcelino


Lagarta vira pupa



6 de fev. de 2014

Compaixão e felicidade

Segundo o dicionário, compaixão significa
"Sentimento de pesar que nos causam os males alheios, bem como uma vontade de ajudar o próximo.Sentimento de simpatia ou de piedade para com o sofrimento alheio, associado a vontade ou ao desejo de auxiliar de alguma forma."
Mas qual a relação entre compaixão e felicidade? 
Outro dia assisti um documentário muito bom, "Você é feliz?", o título original é "Happy", e a questão "O que é ser feliz?" é abordada de uma forma bastante interessante e prática.
Entre outras coisas, o que mais nos aproxima da felicidade, é o fato de nos aproximarmos uns dos outros. E compaixão e empatia são peças fundamentais para isso.
Já escrevi sobre empatia, leia aqui.
Quanto menos egocêntricos e egoístas conseguimos ser, mais próximos da felicidade nos encontramos.
Conseguir pensar e tomar ações em prol de outras pessoas, mesmo que não sejam da sua família ou do seu grupo de amigos, se preocupar com o bem estar coletivo, abrir mão de alguns confortos a favor da preservação da natureza, e principalmente, entender de verdade a importância de tudo isso.
Conversando outro dia com minhas amigas, surgiu a questão: "Alguém pode deixar de ser vegan?"
Já escrevi aqui no blog sobre Vegan, e o significado de se adotar esse estilo de vida. Eu não acredito que alguém que é vegan e realmente entende o significado disto, possa voltar atrás.
Quando começamos a enxergar é impossível fechar os olhos, mesmo quando desejamos não ver. É impossível.
Voltar atrás, é prova que de não houve entendimento. É provável que a decisão tenha sido tomada por motivos pessoais e/ou sociais, que em nada se relacionam com o verdadeiro significado de ser vegan.
E o mesmo vale para a compaixão, podemos conhecer o significado da palavra, saber o que precisa ser feito, e até fazer. Porém, a felicidade que a compaixão pode nos proporcionar, só poderá ser aproveitada se realmente sentirmos compaixão.
É irônico, mas só podemos receber se não esperamos nada em troca.
Porém se lembramos que vivemos em uma sociedade onde tudo tem uma finalidade, uma função, e a felicidade é item de consumo, ah! Daí tudo isso faz muito sentido.
Infelizmente não encontrei o documentário online, mas você pode assistir esse pequeno vídeo no qual o diretor, Roko Belic, fala sobre como a empatia e a compaixão são fundamentais para a felicidade.
Se quiser assistir o documentário completo clique neste link 








1 de fev. de 2014

Como conviver com Elinor e Marianne?

O título é só uma brincadeira com os personagens do livro ( tem também o filme) Razão e sensibilidade, de Jane Austen.
Na estória, Elinor representa a razão, sempre rígida, contida, observadora e controlada. E sua irmã, Marianne é a sensibilidade, totalmente emocional, impulsiva, transparente e imatura.
Eu adoro! Mas as duas, em alguns momentos, irritam.
E ainda tem uma irmã mais nova, Margareth, que entendo como a fantasia. Afinal entre a lógica e os sentimentos, ainda existe aquilo que fantasiamos...
No livro, as coisas só começam a dar certo quando elas começam a encontrar um equilíbrio, mas sem perderem suas características.
Mas o que isso tem a ver com restrições alimentares?
Sabemos que só aprendemos aquilo que tem sentido e significado.
Para que uma criança aprenda, é preciso vivenciar, ver acontecer, é preciso envolvê-la no assunto.
Precisamos que a informação chegue até a criança de maneira lógica e clara, mas ao mesmo tempo, e necessário que ela tenha algum significado prático e afetivo, só assim essa informação se transformará em conhecimento.
O processo de explicar uma restrição à criança é esse. Ele não acontece em um único momento, numa conversa de 15 minutos. Vai muito além, o conhecimento sobre a restrição está no dia-a-dia, em situações corriqueiras, como preparar a lancheira ou fazer compras no mercado.  Não só o fazer, mas o como, com qual sentimento se realiza.
Embora a nossa sociedade cultue que ser feliz é  ser perfeito e sem limites. Olha aí, encontramos a fantasia!
A realidade é que todos somos imperfeitos e todos temos restrições, mas ainda assim podemos ser felizes.
E os pais precisam aprender isso, para que as crianças possam se desenvolver com tranquilidade.
Não adianta "saber" com a cabeça, mas não se sentir assim. Elinor e Marianne não podem viver em conflito.
Como eu já escrevi em outro texto, o exemplo arrasta. Só que o exemplo não pode ser mecânico, teatral. Ele tem que ser verdadeiro, sincero e natural.
Arraste seu filho pelo exemplo, mas cuidado para onde o leva.
Você não gosta do pão sem glúten que seu filho come? Que tal procurar junto com ele, outras receitas ou marcas de pães que agradem mais o paladar? Reclamar ou fingir não são boas soluções.
A decisão de toda família acompanhar a criança na sua dieta, deve ser uma decisão racional, porém pautada no que a sua sensibilidade lhe indica.
Somente equilibrando a razão e a sensibilidade poderemos ser pais melhores, e mais conscientes das reais necessidades dos nossos filhos.