9 de mai de 2014

O problema não é a restrição alimentar, é a omissão

Um assunto recorrente em e-mails, grupos de apoio e das redes sociais é o bullying que crianças com restrição alimentar sofrem na escola.
O que chama a atenção, é que independente da idade dos envolvidos, crianças, adolescente e jovens, o roteiro é sempre o mesmo.
Os educadores tendem a minimizar as agressões, e até mesmo ignorar. Desta forma a direção da escola também não age, afinal o educador, que é o adulto mais próximo não vê aquele comportamento como problema.
A família dos agressores muitas vezes nem imaginam que o comportamento do filho é inadequado, porque estão alheios ao que acontece na escola, ou por acreditarem que ser agressivo é uma característica de vencedores e líderes.
Os familiares da vítima também demoram para se dar conta do problema, e quando ficam cientes do problema, já justificam a perseguição com a restrição alimentar.
Mas quando se diz "Meu filho é perseguido porque é celíaco.", mesmo inconscientemente, se atribui à restrição a culpa pela perseguição. Quando na realidade, a criança sofre agressão porque a escola é omissa.
A escola tem sim o dever de educar, no sentindo mais amplo da palavra, e cabe aos educadores identificarem esses problemas e trabalharem para que sejam corrigidos.
É claro que essa tarefa não é única da escola, prevenir e combater o bullying é um trabalho grande e que requer a participação de toda comunidade escolar, a família é peça fundamental.
O bullying é um pedido de socorro, de atenção do agressor. Então a escola precisa olhar com cuidado e atenção esse comportamento.
A escola tem o dever de informar as famílias, tanto da vítima como do agressor. 
As famílias precisam ser envolvidas, orientadas, e se preciso encaminhas para profissionais que possam ajudá-las.
Mas porque a escola tem que fazer isso?
Porque é responsabilidade da escola garantir a segurança de seus alunos.
Somos todos diferentes, e educar e formar cidadãos inclui ajudá-los a aprender a conviver com as diferenças.

E quando o bullying parte do educador?

Essa parece uma situação surreal, mas acontece com certa frequência.
Já escrevi um pouco sobre isso nos textos Procura-se escola que goste de crianças e Recomeçar
Nestes casos, infelizmente a melhor saída é procurar uma nova escola, pois geralmente o educador está alinhado com a direção da escola e dificilmente poderá ser feita alguma mudança.
É triste pensar que existem escolas e educadores que agem dessa forma, e que não são tão raros como gostaríamos. 

"No escola me apelidavam de tudo e eu apelidava de tudo também, e ninguém sofria de bullying.". Será mesmo?

Será que esse comportamento realmente não trouxe consequências?  Quantas pessoas da nossa geração sofrem de depressão, ansiedade e outros transtornos?
Será que aquele chefe que maltrata os funcionários não vivenciou na infância o bullying?
Eu acredito que precisamos refletir mais sobre o que fazemos e falamos, e que possamos ser pessoas melhores, e assim oferecer um mundo melhor aos nossos filhos, com mais respeito e amor ao próximo.

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