13 de abr de 2014

Contaminação cruzada: como empresas irresponsáveis podem afetar a sua saúde



Quando mudei de Belo Horizonte para São Paulo trouxe um estoque de farinha de arroz de um produtor da minha confiança. Porém em janeiro a farinha acabou e tivemos que comprar por aqui mesmo.
Optamos por uma marca de farinha de arroz bem conhecida no mercado.
Em fevereiro, resolvi adiantar um pouco o meu check-up anual, pois não estava me sentindo muito bem.
Nenhum sintoma grave, apenas um cansaço enorme e queda de cabelo.
Neste mesmo período, meus filhos pareciam mais agitados e birrentos, mas eu coloquei isso na conta do minha fadiga, achando que eles pareciam estar mais agitados porque na verdade eu que estava mais cansada.
Meus exames estavam quase todos normais, exceto por uma alteração em um exame, relacionado ao aparelho digestivo e pâncreas.
Como a alteração era muito pequena, a médica me disse que provavelmente não era nada, e talvez estivesse relacionada com a doença celíaca, principalmente porque eu havia reclamado que estava com algumas lesões de DH (dermatite herpetiforme).
Procurei um gastro para tirar a dúvida, ele solicitou uma endoscopia e colonoscopia.
Percebi que a quantidade lesões de DH estava aumentado, e isso confirmava que estava havendo alguma contaminação por glúten.
Vale ressaltar que fui diagnosticada com doença celíaca em 2008, confirmando o diagnóstico com biópsia do intestino. Desde então, faço rigorosamente a dieta sem glúten, e todas as endoscopias  e biópsias que fiz durante todos esses anos, nunca apresentaram alterações. 
Porém na endoscopia desde ano, a biópsia identificou alterações compatíveis com doença celíaca. 
Conversando com algumas pessoas, descobri que a farinha de arroz que comprei aqui em São Paulo estava sob suspeita, pois surgiram outros casos de celíacos que voltaram a apresentar sintomas após um período de consumo.
Parei imediatamente de consumir a farinha, e em duas semanas, vimos melhoras. As lesões da pele que aumentavam dia após dia, começaram a cicatrizar, a dor abdominal passou e comecei a me sentir um pouco melhor.
Meus filhos recuperaram o bom humor e ficaram mais calmos também.
Escrevo este texto três semanas após suspender o uso da farinha de arroz contaminada, e o que posso dizer é que aos poucos estamos voltando a nossa rotina e a nossa normalidade.
Estou contanto tudo isso para mostrar o quanto o descaso de uma empresa pode afetar a vida de uma família.
Além do gasto de tempo e dinheiro com os exames e consultas, ficamos bastante estressados. A recuperação de uma contaminação cruzada nunca é fácil, principalmente quando se fica exposto por um longo período, como nós ficamos.
Embora as empresas saibam do risco de oferecer produtos contaminados por glúten para consumidores celíacos, elas  não se importam, não se sentem responsáveis pela nossa saúde.
Essas empresas se escondem atrás da falta de uma definição de limites da quantidade de glúten permitida nos alimentos. Por isso é tão importante participar de campanhas que defendem rótulos mais claros, como a Põe no Rótulo e a campanha promovida pela FENACELBRA em parceria com a Proteste.
A #PoeNoRotulo pede que os rótulos sejam claros em relação a ingredientes que podem provocar alergias, como leite, ovo, amendoim,etc. Informando inclusive se há presença de traços desses ingredientes.
Já a campanha da FENACELBRA, "Alimentos seguros para os celíacos", propõe que para que um alimento seja considerado isento de glúten, seja respeitado o limite de 10ppm de glúten. Esse limite já existe em outros países, como a Argentina.
Para acompanhar e apoiar a #PoeNoRotulo você pode acessar  Põe no rótulo, lá há uma série de informações importantes a respeito de rotulagem, produtos e cuidados.
Para assinar a petição da FENACELBRA e saber mais sobre a campanha, acesse Alimentos seguros para os celíacos.
Somente nos unindo e nos organizando podemos exigir que os nossos direitos de consumidores sejam respeitados, não podemos continuar a mercê de empresas irresponsáveis.


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