13 de mai de 2013

Procura-se escola que goste de crianças

Se você já passou pela saga de procurar escola para seus filhos, sabe do estou falando.
Se não, prepare-se, pois não é uma tarefa fácil.
No início a impressão é que temos muitas opções, mas não é verdade.
Você começar a ler, a se informar, a fazer pesquisas na internet, a conversar com as pessoas e começa a eliminar escolas da lista. De repente, sua lista fica reduzida a meia dúzia de escolas.
E são inúmeros detalhes: localização, preço, proposta pedagógica, horários, regras, segurança...e ainda em muitas escolas (na maioria) o tal processo seletivo.
Sim! Embora seja proibido por lei, ele existe para crianças de 4 anos!!
Em uma das escolas, questionei esse processo seletivo, lembrando que é proibido, e imediatamente ele mudou de nome, passou a ser chamado de avaliação, sem objetivo de selecionar, apenas para que a escola conheça a criança.
Tem também as escolas que fazem a seleção da família, e então além das crianças, os pais também são avaliados e rotulados, e quem sabe seu filho poderá ser "premiado" com uma vaga naquela escola. 
A proposta pedagógica é outra coisa confusa, para as próprias escolas. Algumas se dizem construtivista, mas quando pedimos detalhes de como isso funciona, como é na prática, a coisa se complica... Sem uma boa definição do que será realizado, como os pais podem acompanhar o desenvolvimento do filho e verificar o serviço prestado pela escola?
Já nas escolas tradicionais, o fato de ter um método mais rígido é confundido com excesso de conteúdo. Muitas delas afogam a criança em lições, projetos, provas...que deixariam até um adulto estressado.
Somado a tudo isso, para quem tem filho com algum tipo de restrição, é mais um obstáculo a ser ultrapassado.
Fica evidente que algumas escolas, a partir do momento que informamos que existe uma restrição ( alimentar, como no nosso caso), tudo se torna mais complicado e burocrático.
Seja porque a escola simplesmente não quer ter o trabalho de ter um aluno com restrições, independente quais forem. Ou porque quer fazer a venda casada do lanche.
E ainda tem as escolas que se definem como inclusivas, mas você percebe que não é bem assim...
Existem escolas que colocam uma quantidade limitada de vagas por turma para crianças que precisam de cuidados especiais. (Foi assim que algumas escolas nos explicaram).
Só que nessas vagas estão incluídas as crianças com intolerâncias e/ou alergias. Bom, sendo assim, fica praticamente impossível uma criança autista ou com síndrome de down conseguir uma vaga, pois a quantidade de crianças com intolerâncias e alergias é enorme, e rapidamente essas vagas são ocupadas.
Será que escolas que fazem isso são realmente inclusivas??
Ao visitar várias escolas a impressão que ficamos é que o que menos importa é a criança em si.
A preocupação é convencer os pais que ali serão formarão adultos bem sucedidos financeiramente, vencedores. Ali é o único caminho para que isso aconteça. Parece que o mais importante é atender as expectativas (por vezes surreais) dos pais.
O detalhe do que vai acontecer no meio do caminho parece ficar em um segundo plano, junto com a criança...
É claro que como pais, todos temos expectativas e desejos em relação aos filhos. Porém a escola não é decisiva para o futuro da criança.
Nossas expectativas e conceitos de sucesso e felicidade não deveriam atropelar nossos filhos.
Eles são indivíduos diferentes de nós, com expectativas e desejos que podem ser diferentes dos nossos.
A escola que me parece maravilhosa, e me atende, pode não fazer meu filho feliz.
Errar na escolha da escola é aceitável, e não acredito que isso seja determinante para um futuro de fracasso.
A escola tem um papel importante na vida, não há dúvidas. Mas ela não é decisiva, não é a única fonte de conhecimento, nem a única oportunidade de desenvolvimento.
Às vezes as pessoas falam, "Fulano estudou em tal escola e hoje é bem sucedido em tal área!". E daí?
Será que a escola que ele frequentou foi fundamental para que isso acontecesse? E os talentos inatos dele? E as outras vivências, e as outras influências que ele sofreu?
Pois é, escola é importante, mas não é a única oportunidade de sucesso, de aprendizado. 
O importante é reconhecer que errou, identificar que a criança está infeliz naquele lugar, e começar de novo.
Isso sim faz a diferença.

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